Quem escolhe, quando você escolhe? – parte 2

Quem escolhe, quando você escolhe? – parte 1
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Quem escolhe, quando você escolhe? – parte 3
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Se você consegue responder a pergunta título sem pestanejar e sem sentir nenhum tipo de dúvida após oferecer sua reposta então, muito provavelmente, este texto não será do seu interesse e eu sugiro que você passe para outro que lhe seja mais atraente. Desta forma, você poderá aproveitar melhor seu volume de um dos recursos que poucos têm se mostrado capazes de utilizar adequadamente na atualidade: o tempo.

Por outro lado, se você teve algum tipo de dúvida, ou mesmo se achou que a pergunta é tola, eu faço um convite para que fique comigo até o fim. Assim, poderá avaliar por si mesmo se terá perdido ou se terá investido seu tempo.

Fazer escolhas é um processo que executamos a cada momento de nossas vidas. Elas vão desde as mais básicas, tais como o que comer no café da manhã, que roupa vestir para um compromisso, ou que caminho tomar para o trabalho; até as mais complexas: que profissão escolher, mudar ou não de emprego, com que pessoas vale a pena dividir a vida, e por aí vai.

Toda escolha terá também sua(s) consequência(s). Você pode escolher mal os alimentos do café da manhã e ter azia, engordar, ou manter sua nutrição em índices inadequados, por exemplo. Pode também mudar de emprego e descobrir que caiu em uma arapuca, ou descobrir que pessoas em quem decidiu confiar não eram tão confiáveis assim.

O que pode fazer com que os resultados de suas escolhas sejam cada vez mais adequados, agradáveis, eficazes e/ou próximos daquilo que você realmente estava almejando alcançar quando fez a escolha? Como resposta, vamos cair em uma tecla muito batida ao longo da história da humanidade (milênios dela, ao menos) e atualmente tão em voga que chega a enjoar: o autoconhecimento.

Apesar do cansaço que essa palavra pode estar promovendo atualmente, por seu uso excessivo, e também por estar sendo apregoada muitas vezes em termos de senso comum e não de conceitos científicos, um grande número de pessoas (ainda) pensa se conhecer, mas na verdade se mostra pouco capaz de dar respostas com sentido real a questões que – quando formuladas – visam averiguar se o autoconhecimento é realmente presente.

Um exemplo simples: com alguns clientes de coaching ou de mentoria, bem como em algumas das disciplinas que leciono em cursos de MBA, cabe trabalhar o entendimento do indivíduo a respeito de seus valores pessoais, aqueles dos quais ele percebe que não abriria mão em seu cotidiano, pois não conseguiria viver satisfatoriamente em um ambiente que lhes fosse contrário. Para facilitar vou dar um exemplo: imagine alguém que tenha por valor pessoal o respeito, implicando respeitar o outro e ser respeitado por ele. Esse indivíduo se sentiria profundamente mal se tivesse que viver diariamente em um ambiente antagônico a esse valor, onde o desrespeito às diferenças, ideias, comportamentos etc fosse uma constante.

Pois bem, é comum que, ao tentarem levantar esses valores “do nada”, sem uma lista sugestiva de apoio, ou uma dinâmica que permita alcançar essa informação por analogia ou metáfora, os indivíduos tenham dificuldade de chegar a respostas conclusivas de forma eficaz. Qual a fonte dessa dificuldade? Pouco contato entre a “persona” – a imagem com a qual o indivíduo se identifica e pensa ser ele e que constitui um dos muitos de seus fragmentos – e o “si mesmo” (self) – o indivíduo de forma integrada, em seus aspectos conscientes (e também nos inconscientes que podem/precisam aflorar a qualquer instante).

O ego, conceito muito falado e nem sempre entendido é um componente de nossa personalidade, centro de nossa consciência, que poderia ser compreendido como um aspecto intermediário entre persona e self. Esses aspectos são estudados por diversas teorias da psicologia e não tenho a intenção de me aprofundar nelas neste simples artigo, mas vale ainda mencionar que, para Jung, além desses elementos mencionados é ainda importante considerar a influência da sombra e da dupla anima/animus em nossos comportamentos.

Repito agora a questão título, ampliando-a: considerando tantos aspectos psicológicos de base (e sem considerar múltiplas teorias), você saberia responder: quem escolhe, quando você escolhe? Quanto mais segura for sua resposta “SIM!”, mais eu entenderei que você já desenvolveu um ótimo processo de autoconhecimento. O que não significa, necessariamente, que já seja mestre de si mesmo.

Agora, vamos supor que, sabedor(a) de que o ego é visto como o centro de nossa consciência você tenha me respondido: eu faço escolhas conscientemente, portanto, quem escolhe em mim e para mim, é o meu próprio ego. Muito bem, vem aqui a próxima questão, relacionada de certa forma com a parte 1 deste artigo: e seu ego usa quais parâmetros para processar a tomada de decisão?

A personagem do conto na parte 1 utilizou seus medos e sim, tomou uma decisão que poderia parecer consciente para seu aspecto egóico naquela situação. Será, porém, que ela poderia ter decido diferentemente, optando por compreender melhor as razões que promoviam aquele “medo do olhar do outro” (no fundo, uma situação que demonstrava a necessidade de desenvolver a autoestima e o amor por si mesma)?

Considero o medo (especialmente os medos ainda não claramente conscientes para o indivíduo) um grande influenciador nos processos de tomada de decisão. Por isso, é extremamente importante identifica-los, conhecê-los em seu cerne, processa-los e integrar os resultados desse processamento em nossos seres, tornando-nos capazes de decidirmos melhor, seja em nossas vidas pessoais, seja em nossas vidas profissionais (no fundo, não há separação alguma entre uma e outra e essa divisão nada mais é do que uma ilusória decisão tomada por algumas “personas”).

Vou fechando por aqui esta parte 2 do artigo, para que não fique excessivamente longa. Acredito que já deixei material suficiente para novas reflexões (que é o objetivo recorrente dos meus textos). Porém, antes de partir, deixo a seguir uma migalha na tentativa de atrair você para ler também a parte que virá na sequência.

Em seu livro Psicossíntese, o psicólogo italiano Roberto Assagioli, defende que a libertação do medo é fundamental, pois, apenas quando dele se liberta, o ser humano chega a ser realmente livre. Disto, já poderíamos entender que a liberdade de escolha não é apenas uma questão relativa ao ambiente externo ao indivíduo, mas também ao contexto intrínseco ao ser.

Assagioli prossegue em suas ideias conceituando que paradoxalmente, porém, esse ser anseia pela liberdade e, simultaneamente, teme alcançá-la. Ele explica esse paradoxo com base no fato de que a liberdade implica empenho, autodomínio, valor e outras qualidades inerentes à vida espiritual.

Sim, isso mesmo, o autor defende competências específicas como ligadas à vida espiritual e não aos processos exclusivamente racionais ou emocionais. Essa era a migalha que eu desejava deixar como atração para a próxima parte do artigo. Espero ter você me acompanhando também na próxima etapa.

Se gostou ou não, se concorda ou não, já que leu até aqui, que tal deixar seu comentário e contribuir com suas experiências e pontos de vista, não apenas comigo, mas também com outros leitores? O espaço para comentários tem exatamente esse objetivo e é todo seu.

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